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Artigos e Estudos

Qual é o Lucro do Posto?

 

 

 

Em  meio a tanta polêmica no país em relação a greve dos caminhoneiros  e a falta de combustíveis nos postos ocorrida em 2018, torna-se interessante saber como

é a composição do preço da gasolina e como é a realidade dos postos de combustíveis diante do lucro e do tributo.

 

Algo que vem assombrando os brasileiros já há longa data são os preços dos combustíveis. Aumentos muitas vezes injustificados e não compreendidos, juntamente com decisões politicas e estratégicas para a Petrobrás resultaram especificamente hoje no dia 24 de maio de 2018 no colapso logístico e de combustíveis do país. A fórmula do colapso é simples: greve de caminhoneiros em protesto ao preço do óleo diesel, acrescido do desabastecimento dos postos justamente pela greve dos caminhoneiros, acrescido de filas quilométricas em postos de combustíveis que possuem estoque de combustível, acrescido do que chamam por aí de lei da ofertada e demanda que fazem tais postos oferecerem em casos extremos o litro da gasolina a oito reais, toda essa soma resulta em colapso.

 

Sem entrar no mérito da política de controle de preços adotada pelo governo até meados de novembro de 2014 e outras decisões que resultaram na mudança da política de preços que deixou de ser a de preços controlados, nos foquemos nesse texto a compreender melhor a dinâmica que os postos seguem a cada reajuste ou redução.Nessa data citada, o preço praticado pela Petrobras ao posto de combustíveis para o litro da gasolina é R$ 2,01. Valor sem a incidência de qualquer tributo conforme divulgado em seu próprio portal. Enquanto isso um posto na cidade de Belo Horizonte revende esse mesmo combustível a R$ 4,99 também o litro, porém já com todos os tributos inclusos. Com base nesses valores temos condições de calcular com bastante realidade os tributos incidentes tanto na operação de compra quanto na operação de venda. Vamos primeiro a compra:

 

São três os tributos incidentes sobre a operação de compra da gasolina, sendo eles, o PIS em alíquota de 1,65%, COFINS em alíquota de 7,6% e o ICMS com alíquota de 31%. Isso tomando como exemplo o estado de Minas Gerais para realização dos cálculos. Considerando que R$ 2,01 é o preço que a Petrobras pratica sem a incidência de nenhum tributo, vamos adicionar a ele o valor de cada um dos tributos citados. Iniciando pelo PIS, o valor encontrado é de R$ 0,03, passando paro a COFINS o valor é R$ 0,17 e finalizando com o ICMS que representa R$ 0,99. Depois de calculados e somados descobrimos que o preço que o litro da gasolina chega até o posto é de R$ 3,20. Descoberto o preço de compra da gasolina pelo posto nos resta verificar sobre o preço de venda o que o posto também precisa pagar de tributos, afinal até agora apuramos apenas o real preço de compra

.

Sobre o preço de venda o posto de combustíveis paga quatro tributos, sendo eles os mesmos da compra acrescido da CIDE, que possui alíquota de 2%. Aos mais envolvidos com o assunto, ressalta-se também que ao realizar os cálculos não se pode esquecer da existência do princípio da não culmulatividade, que fará com que os tributos pagos na compra sejam créditos do posto de combustíveis. Agora sim, vamos aos valores. Ao vender um litro da gasolina por R$ 4,99 o posto desembolsa de PIS o valor de R$ 0,05, de COFINS R$ 0,21, para o ICMS o valor de R$ 0,55 e por fim a CIDE representando R$ 0,10.

 

Diante desses número podemos encontrar o lucro do posto de combustíveis subtraindo do preço de venda o desembolso de todos os tributos pagos ao vender o litro da gasolina sem esquecer o preço real de compra que foi R$ 3,20. O resultado é um lucro de R$ 0,87 por litro, ou seja 17%.Obviamente, esse estudo não leva em consideração nenhuma despesa do posto, como aluguel, folha de pagamento, energia elétrica, etc. Esses se rateados e aplicados a esse estudo trariam certo impacto a essa realidade.

 

Por fim, a informação mais impactante em que, num cenário hipotético em que o governo reduzisse o ICMS de 31 para 15% o lucro do posto poderia passar para R$ 1,67, ou seja, 33%, ou melhor ainda, se essa redução foi repassada para o consumidor, o preço do litro da gasolina poderia ser R$ 0,80 menor.

 

Autor: Diogo Cruz

- Mestre em Sistemas de Informação e Gestão do Conhecimento
- MBA em Gestão Estratégica de Negócios
- MBA em Gestão Estratégica de Projetos
- MBA em Gestãto Estratégica de Logística e Produção
- Aperfeiçoamento em Administração empresarial
- Bacharel em Administração com Habilitação em Comércio Exterior
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